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Trabalhador mais descansado produz mais, afirma Boulos ao defender o fim do 6x1

Ministro afirma que redução da jornada sem corte salarial pode aumentar produtividade

22 de janeiro de 2026 às 21:06

Trabalhador mais descansado produz mais, afirma Boulos ao defender o fim do 6x1
Divulgação

O debate sobre o fim da escala de seis dias de trabalho por um de folga (6x1) ganhou força nesta quarta-feira (21), após o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmar que a redução da jornada tende a elevar a produtividade da economia brasileira. Em entrevista ao programa Bom dia, Ministro, do Canal Gov, ele sustentou que trabalhadores mais descansados produzem mais e melhor.  

Para embasar a defesa, Boulos citou um estudo da Fundação Getulio Vargas, realizado em 2024, que analisou 19 empresas que reduziram a jornada. Os dados indicam aumento de receita em 72% dessas empresas e melhora no cumprimento de prazos em 44%, mesmo sem mudanças na legislação trabalhista. Segundo o ministro, isso demonstra que o próprio mercado já começa a enxergar vantagens no novo modelo.  

Boulos argumentou que a lógica da escala 6x1 gera exaustão, especialmente entre mulheres, que muitas vezes utilizam o único dia de descanso para atividades de cuidado doméstico.  

  

“Quando o trabalhador chega cansado, o desempenho cai. Com mais descanso, o resultado é melhor, e isso é comprovado por dados”, afirmou.  

Experiências internacionais também foram citadas como referência. No Japão, a Microsoft adotou a escala de quatro dias de trabalho por três de folga e registrou aumento de 40% na produtividade individual. Já a Islândia reduziu a jornada semanal para 35 horas e viu a economia crescer 5%, com alta de 1,5% na produtividade. Nos Estados Unidos, uma redução média de 35 minutos diários de trabalho nos últimos três anos resultou em ganho médio de 2% na produtividade.  

O ministro rebateu o argumento de que a baixa produtividade seria motivo para rejeitar a mudança. Segundo ele, parte desse problema não está no trabalhador, mas na falta de investimento do setor privado em inovação e tecnologia, área em que o setor público ainda responde pela maior parcela dos aportes no país.  

A proposta em discussão no governo prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem corte salarial, com limite de cinco dias de trabalho e dois de folga, além de regras de transição e compensações para micro e pequenas empresas. Boulos afirmou que o diálogo com o Congresso avança para que o tema seja votado ainda neste semestre, enquanto tramita na Câmara dos Deputados a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 8/2025, que propõe jornada máxima de 36 horas semanais e quatro dias de trabalho.  

 

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