8 de julho de 2026 às 13:08

Na calada da madrugada, quase clandestino. Era assim que o gigante metálico de R$ 1,1 bilhão tocaria o solo do aeroporto do Galeão, no Rio.
Solitário, constrangido. Justo ele que partiu todo pintado de esperança. Orgulhoso, com as cores da nossa bandeira. Certo que iria fazer história.
Diante dele, naquele hoje distante primeiro de junho, 26 jogadores e Carlo Ancelotti posaram. De terno, gravata e ar de que sabiam o que queriam. Encararam as lentes oficiais da CBF.
Tinham encontro marcado. Volta reservada para o dia 20 de julho. Sairiam de Nova York com a cobiçada taça dourada, que não viam desde 2002.
Caças da Força Aérea Brasileira acompanhariam o avião assim que entrasse em território nacional. Desembarcaria em Brasília, para mostrar a taça ao presidente do Brasil.
Ancelotti já o havia visitado e prometido o retorno com o objeto de desejo. Depois, Rio de Janeiro, desfile em carro aberto. Os demais jogadores fariam a mesma coisa nos seus estados de origem. Só que o sonho virou pura melancolia. A certeza de 28 anos de jejum garantiu o desinteresse.
Quem quer receber um time que não consegue ficar nem entre os oito melhores de um campeonato?
Apenas Danilo, entre os 26 convocados, teve a coragem de entrar no Boeing 767-300ER, da Aeronexus, da África do Sul, com 96 lugares de primeira classe.
E que foi usado pelos Rolling Stones, na turnê mundial de 2022, para a comemoração de 60 anos da banda.
É uma oportunidade de colocar a culpa em Mick Jagger, que acumula derrotas no futebol.
Mas todos sabem que a culpa no fracasso na Copa dos Estados Unidos não pode ser colocada no colo do cantor de 82 anos.
Nem no avião de extremo luxo que a CBF colocou à disposição dos 26 atletas que levou para a terra de Trump.
Os inúmeros motivos já estão sendo dissecados nas redes sociais, nos portais, nas intermináveis mesas redondas, no Brasil e no mundo.
O que importa é que o avião que saiu do país cercado de carinho, batucada, esperança, voltou.
Sem caças ao seu lado.
Sem motivo para pousar em Brasília.
Com seus ocupantes não visitando o presidente Lula.
Sem Neymar podendo mostrar o poder do home office.
Ficou em Orlando, passeando com a família.
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