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Irã lança mísseis contra Israel após Trump falar em controle de Ormuz

Presidente norte-americano citou ontem conversações produtivas

24 de Março de 2026 às 09:51

Irã lança mísseis contra Israel após Trump falar em controle de Ormuz
Reprodução redes sociais

O Irã lançou mísseis contra Israel nesta terça-feira (24), segundo as Forças Armadas israelenses, um dia depois que o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, disse que houve conversações "muito boas e produtivas" com o objetivo de interromper o conflito no Oriente Médio.

Três autoridades graduadas israelenses, falando sob condição de anonimato, disseram que Trump parecia determinado a chegar a um acordo, mas que achavam altamente improvável que o Irã concordasse com as exigências dos EUA em qualquer nova rodada de negociações.

Após o comentário de Trump no Truth Social nessa segunda-feira, o Irã disse que nenhuma negociação havia sido feita até então. A embaixada do Irã na África do Sul publicou imagem no X, mostrando um volante rosa de criança colocado no painel de um carro em frente ao banco do passageiro, aparentemente zombando da ideia de Trump, transmitida aos repórteres, de que ele poderia controlar o Estreito de Ormuz ao lado do líder supremo do Irã.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que conversou com Trump menos de 48 horas antes do início da guerra lançada pelos dois países, deve convocar uma reunião de autoridades de segurança para conversar sobre a proposta de Trump de um acordo com o Irã, segundo duas autoridades israelenses de alto escalão.

Uma autoridade paquistanesa afirmou que conversações diretas podem ser feitas em Islamabad nesta semana.

Os EUA e Israel lançaram ataques contra o Irã em 28 de fevereiro, depois de informar que não conseguiram avançar o suficiente nas negociações para acabar com o programa nuclear do Irã, embora o mediador em Omã tenha dito que houve progresso significativo.

A crise aumentou em todo o Oriente Médio. O Irã atacou países que abrigam bases norte-americanas, atingiu importante infraestrutura de energia e praticamente fechou o Estreito de Ormuz, canal por onde passa um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo.

Sirenes de ataque aéreo

Nesta terça-feira, mísseis iranianos dispararam sirenes de ataque aéreo na maior cidade de Israel, Tel Aviv, onde buracos foram abertos em um prédio de apartamentos de vários andares. Não ficou imediatamente claro se o dano foi causado por impacto direto ou por destroços de uma interceptação.

O Serviço de Bombeiros e Resgate de Israel disse que estava procurando por civis presos em um prédio em Tel Aviv e descobriu civis em abrigo em outro prédio danificado.

As Forças Armadas de Israel informaram que seus caças promoveram grande onda de ataques no centro de Teerã nessa segunda-feira, tendo como alvos os principais centros de comando, incluindo instalações associadas ao braço de inteligência da Guarda Revolucionária Islâmica e ao Ministério da Inteligência. Disseram ter atingido também mais de 50 outros alvos durante a noite, incluindo locais de armazenamento e lançamento de mísseis balísticos.

Os sistemas de defesa aérea foram ativados em Teerã quando explosões foram ouvidas simultaneamente em várias áreas da capital, de acordo com a agência de notícias iraniana Nournews.

Trump disse ontem que estava adiando por cinco dias um plano para atacar as usinas de energia do Irã, se o país não reabrir o Estreito de Ormuz.

O Irã havia prometido responder a esses ataques alvejando a infraestrutura dos aliados dos EUA no Oriente Médio.

Irã nega negociações

O recuo de Trump fez com que os preços das ações subissem e os preços do petróleo caíssem drasticamente para menos de US$ 100 por barril.

No entanto, esses ganhos foram ameaçados nesta terça-feira, depois que o poderoso presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf -- o interlocutor do lado iraniano, de acordo com autoridade israelense e mais duas fontes familiarizadas com o assunto -- disse que não houve negociações.

"Nenhuma negociação foi realizada com os EUA, e as fake news são usadas para manipular os mercados financeiros e de petróleo e escapar do atoleiro em que os EUA e Israel estão presos", escreveu ele no X.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã, no entanto, mencionou iniciativas para reduzir as tensões.

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