13 de Abril de 2026 às 22:31

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) concluiu inquérito policial que investigou um médico ginecologista, de 81 anos, pela prática do crime de violação sexual mediante fraude contra uma paciente de 24 anos, residente em Teixeira Soares/PR. O caso ocorreu no dia 4 de fevereiro de 2026, durante uma consulta realizada nas dependências de um consórcio intermunicipal de saúde em Irati/PR.
De acordo com as investigações, o profissional teria se aproveitado da confiança inerente à relação médico-paciente e, sob o pretexto de realizar procedimentos clínicos, praticou atos libidinosos. A vítima relatou que, durante o exame ginecológico, o médico realizou massagens em suas partes íntimas sob uma justificativa de "orientação sexual", conduta que não possui qualquer respaldo técnico-científico ou protocolo médico reconhecido.
A vítima demorou sete dias para procurar a delegacia, registrando o Boletim de Ocorrência apenas no dia 11 de fevereiro. Em depoimento, ela relatou que o atraso ocorreu devido ao extremo abalo emocional e à tentativa inicial de superar o trauma por conta própria. Somente após confirmar com outros profissionais de saúde que os procedimentos realizados não eram normais, e diante da persistência de sintomas como insônia e desespero, é que ela decidiu formalizar a denúncia.
A investigação também apurou que, durante o atendimento, o médico atendeu a uma chamada telefônica de cunho pessoal por cerca de cinco minutos, mantendo a paciente despida e em posição vulnerável na mesa de exames. Além disso, a análise do prontuário eletrônico da instituição revelou que, diferentemente de atendimentos anteriores realizados por outros profissionais, não houve qualquer registro clínico, anamnese ou solicitação de exames por parte do investigado na data do fato.
A PCPR ouviu testemunhas, profissionais de saúde e realizou a escuta especializada do filho da vítima, de 5 anos, que presenciou parte do atendimento. Diante da gravidade dos fatos e do risco de reiteração criminosa — uma vez que a especialidade exige contato físico íntimo e privacidade —, a autoridade policial indiciou o investigado pelo crime de violação sexual mediante fraude (art. 215 do Código Penal) e representou pela medida cautelar de afastamento das funções públicas e suspensão do exercício profissional do médico.
O Ministério Público (MP) já ofereceu a denúncia formal contra o investigado. Ao oferecer a peça acusatória, o MP reiterou o pedido da Polícia Civil para a aplicação da medida cautelar de afastamento temporário das funções, visando garantir a ordem pública e a integridade de outras possíveis pacientes. Ainda não houve decisão judicial sobre o pedido formulado.
A PCPR reforça a importância de que vítimas de crimes contra a dignidade sexual procurem a delegacia para registro e orientação. As denúncias podem ser feitas de forma anônima pelos telefones 197 (PCPR) ou 181 (Disque-Denúncia).
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