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Mais de 70 mulheres eram mantidas em cárcere privado e torturadas em clínica no Paraná  

Segundo a investigação, as internas eram submetidas a castigos, trabalho forçado, suspensão de visitas familiares e sedação forçada. 

16 de setembro de 2026 às 21:18

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Mais de 70 mulheres eram mantidas em cárcere privado e torturadas em clínica no Paraná  
Imagem e informações MPPR

A Clínica Médica Vida Nova, em Terra Roxa, no Oeste do Paraná, mantinha cerca de 72 mulheres internadas, muitas delas contra a própria vontade e impedidas de sair do local. Segundo a investigação, as internas eram submetidas a castigos, trabalho forçado, suspensão de visitas familiares e sedação forçada. 

O gestor e proprietário da clínica foi preso temporariamente nessa terça-feira (15), durante a Operação Aurora. O pai dele também foi preso em flagrante por posse ilegal de armas de fogo e munições, mas foi liberado após pagar fiança. 

A clínica não foi interditada, e as mulheres seguem internadas no local. Segundo o Ministério Público, não havia condições de transferir todas as pacientes para outros estabelecimentos de uma só vez e a remoção será feita de forma gradual. 

Em nota, a Clínica Médica Vida Nova informou que está colaborando com as investigações e reafirmou seu compromisso com a transparência e com a segurança das mulheres acolhidas. A clínica negou práticas desumanizadas, cárcere privado ou qualquer conduta fora dos parâmetros legais. 

O centro terapêutico atuava com internação de dependentes químicos e era exclusivo para mulheres. Segundo o MPPR, entre as internas havia pessoas com deficiência. 

Segundo a promotora Gabriela Hanna Pereira, responsável pelo caso, há indícios de que algumas mulheres foram levadas à clínica sem qualquer autorização legal. 

"Há relatos de que vítimas foram capturadas por pessoas não identificadas e entregues à clínica sem nenhuma ordem judicial ou solicitação médica anterior", afirmou. 

A investigação aponta ainda indícios de que os responsáveis pela clínica aplicavam castigos, suspendiam visitas de familiares e submetiam as mulheres a trabalho forçado. 

O Ministério Público apurou ainda o uso forçado de medicamentos sedativos — apelidados na clínica de "danone" — aplicados para deixar as internas inconscientes. Também há relatos de omissão de socorro médico e de ameaças para que as mulheres ficassem em silêncio durante inspeções de órgãos de fiscalização. 

 
 

 

 

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