11 de Março de 2026 às 19:14

Uma foto de um menino iraniano acenando para a mãe antes de sair para a escola se tornou um dos símbolos mais compartilhados da guerra entre o Irã e os Estados Unidos. A imagem mostra Mikaeil Mirdoraghi poucos momentos antes de ir para a aula no dia 28 de fevereiro, quando um bombardeio atingiu uma escola na cidade de Minab, no sul do país. Segundo o jornal The New York Times, o ataque matou 175 pessoas, a maioria crianças.
Em entrevista ao jornal iraniano Hamshahri, a mãe do menino contou que o filho pediu para ser fotografado antes de sair de casa naquela manhã. Ela também relatou as últimas horas de vida da criança. “Na noite anterior, ele disse: ‘Mãe, a comida que você fez tem gosto de paraíso’”, afirmou.
Segundo o relato, Mikaeil ainda brincou de guerra com o irmão antes de dormir, dizendo: “Eu sou o Irã e você é os Estados Unidos”. Durante a brincadeira, comemorou: “O Irã venceu”.
O nome do menino aparece nas listas de vítimas divulgadas pela imprensa iraniana, que passou a tratar as crianças mortas no ataque como “mártires”.
A fotografia em que Mikaeil se despede da mãe começou a circular amplamente nas redes sociais e foi compartilhada por perfis ligados ao governo iraniano, tornando-se um símbolo da tragédia. Ferramentas de verificação indicaram alta probabilidade de que a imagem seja autêntica.
Buscando um culpado
Uma investigação publicada pelo Times aponta que vídeos e imagens analisados indicam que um míssil americano caiu nas proximidades da escola pouco antes da explosão. Segundo o veículo, o ataque teria como alvo uma instalação militar próxima, mas atingiu a região da escola primária. O levantamento reúne imagens de satélite, registros em vídeo e depoimentos de testemunhas.
De acordo com a reportagem, apenas os Estados Unidos possuem mísseis Tomahawk entre os países envolvidos diretamente no conflito com o Irã. Já a agência Reuters revelou que uma investigação preliminar conduzida pelos próprios militares americanos indicou que forças dos EUA provavelmente foram responsáveis pelo ataque que atingiu o prédio escolar.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o caso está sendo investigado. Em declarações anteriores, ele chegou a sugerir que o próprio Irã poderia ter sido responsável pela explosão — versão rejeitada pelas autoridades iranianas, que classificam o episódio como crime de guerra.
Enquanto a disputa de narrativas continua, a imagem de Mikaeil acenando antes de sair para a escola se espalhou pelo mundo como retrato de uma das faces mais brutais do conflito: a morte de crianças inocentes.
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