Por Redação Agora1

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) sua renuncia formal ao cargo máximo no país. A saída da presidência ocorre em meio a abertura de um processo de impeachment contra o chefe de Estado.
“Faço isso tendo em mente a estabilidade do nosso país, a paz social e a necessidade de preservar nossas instituições democráticas”, afirmou o presidente em discurso gravado.
Para que a renúncia seja oficializada, o Congresso paraguaio ainda precisará aceitar o pedido. Caso a renúncia seja concluída, o vice-presidente Pedro Alliana deve assumir o cargo em seu lugar.
A crise no Paraguai que levou à renúncia de Peña tem como estopim o Ueno Bank, o principal emissor de cartões de crédito no país e que atendia quase metade da população. A instituição financeira entrou em processo de resolução bancária após uma deterioração revelada após ajustes realizados nos balanços durante um processo de fiscalização
“Meu maior desejo é que a devolução desses recursos seja garantida, que o fundo de garantia de depósitos cumpra sua finalidade e que os recursos públicos”, acrescentou Penã após anunciar a saída do cargo.
Na quarta-feira (4), o presidente havia promulgado uma lei que permitiria aos poupadores do banco receberem, no menor tempo possível, uma parte dos fundos em garantia.
A crise no Paraguai teve início a partir do Ueno Bank, um dos principais bancos digitais do país e que possui cerca de 3 milhões de clientes, além de administrar aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos.
A situação financeira banco se deteriorou após ajustes realizados em seus balanços durante um processo de fiscalização. Segundo o Banco Central do Paraguai, o índice de solvência da instituição caiu para menos da metade do mínimo regulatório.
Por unanimidade, o Banco Central paraguaio decidiu iniciar, em 2 de novembro, um procedimento de resolução bancária para organizar a destinação dos ativos e passivos.
Com uma base de clientes equivalente a quase metade da população do país, o Ueno era considerado o maior emissor de cartões de crédito no Paraguai, o que agravou a pressão social sobre medidas do governo a respeito da situação da instituição financeira.
O caso levou à renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, solicitada diretamente pelo presidente Santiago Peña.
Carvallo esteve à frente da antiga Financiera Ueno até 2023, antes de assumir o comando do Banco Central. A ligação do presidente da autarquia com a instituição financeira passou a ser questionada por parlamentares, que questionaram sua supervisão ao banco durante a gestão.
O presidente paraguaio também enfrenta questionamentos sobre sua relação com o Grupo Vázquez, do qual foi sócio até 2025.
Durante seu governo, os depósitos de instituições públicas no Ueno cresceram significativamente. Entre os recursos mantidos no banco estão investimentos do Instituto de Previdência Social (IPS), responsável pelo pagamento de aposentadorias e por serviços de saúde no país.
A concentração desses recursos passou a ser questionada pela oposição, que cobra esclarecimentos sobre os critérios utilizados para escolher a instituição e eventuais conflitos de interesse.
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