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Polícia Civil indicia clínica e médicos veterinários após apurar descarte indevido de animais e falhas operacionais, em PG  

10 de junho de 2026 às 10:54

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Polícia Civil indicia clínica e médicos veterinários após apurar descarte indevido de animais e falhas operacionais, em PG  
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A Polícia Civil do Paraná, por meio do 2° Distrito Policial de Ponta Grossa, concluiu o inquérito policial que apurava graves situações de maus-tratos contra cães no município de Ponta Grossa.

A investigação resultou no indiciamento formal de três médicos veterinários e de uma pessoa jurídica prestadora de serviços médico-veterinários vinculada ao município.

As investigações tiveram início em março de 2026, após denúncias veiculadas na mídia local com registros audiovisuais que flagravam funcionários da referida clínica descartando irregularmente cães em via pública. Ficou comprovado que dois cachorros, recolhidos previamente para castração por meio de um convênio público com o Centro de Referência para Animais em Risco (CRAR), foram abandonados de forma desamparada na Vila Mezzomo, numa região erma, à margem de uma linha férrea ativa, localizada a mais de 7 quilômetros da comunidade onde os animais viviam e eram monitorados.

Ao serem resgatados, os cães apresentavam desidratação severa e estavam com as incisões cirúrgicas abertas e com os pontos rompidos, sem qualquer proteção ou suporte analgésico. No decorrer das diligências, vistorias técnicas e laudos periciais constataram que o estabelecimento operava em condições de insalubridade e descumprimento de protocolos sanitários.

Entre as irregularidades identificadas pelas autoridades, apurou-se que animais de grande porte eram mantidos em baias pequenas que os impediam de ficar em pé ou girar. Na área de isolamento sanitário, um felino diagnosticado com esporotricose, uma zoonose infectocontagiosa, foi mantido em enfermaria comum sem qualquer barreira ou sinalização.

Adicionalmente, kits cirúrgicos eram guardados sem controle de esterilização e, na área externa, cadáveres de animais estavam condicionados de forma totalmente irregular em freezers ao lado de materiais perfurocortantes destampados, próximos a cadelas lactantes com ninhadas recém-nascidas, onde um filhote já se encontrava morto e sem assistência. Foi constatado, ainda, o uso de instrumentos inadequados em procedimentos cirúrgicos, que resultou em danos físicos a um animal.

A defesa dos investigados alegou que o descarte se tratava do cumprimento do protocolo internacional "CED" (Captura, Esterilização e Devolução). Contudo, a Polícia Civil refutou completamente a tese, reforçando que o protocolo exige de forma cumulativa a plena recuperação do animal em ambiente asséptico, cicatrização completa, microchipagem e devolução rigorosa ao exato local de origem.

Soltar animais debilitados com feridas abertas em quadrante geográfico totalmente diverso e perigoso desnatura o instituto e configura ato inequívoco de abandono e descarte de resíduos vivos. Diante do robusto arcabouço probatório, a Polícia Civil fundamentou o indiciamento dos envolvidos pelo crime de maus tratos aos animais, com base na concorrência de condutas e na quebra de deveres jurídicos fundamentais.

Ficou demonstrado que os crimes de maus-tratos derivaram de decisões gerenciais e visavam o lucro financeiro direto da empresa em detrimento do bem-estar animal, esquivando-se dos custos operacionais de recuperação, medicação e alimentação pós-cirúrgica. Assim, o caso foi finalizado e encaminhado ao Ministério Público local para adoção das providências cabíveis.  

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