18 de junho de 2026 às 10:21

O Núcleo de Londrina do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Paraná, em ação integrada com o 5º Batalhão de Polícia Militar do Paraná, deflagrou na manhã desta quinta-feira, 18 de junho, uma operação para desarticular uma sofisticada rede de comunicação extramuros utilizada pela alta cúpula de uma grande organização criminosa atuante no país.
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão e de busca pessoal contra mulheres investigadas por atuar como interlocutoras de líderes da facção detidos no Sistema Penitenciário Federal (SPF). O objetivo da organização era burlar as rigorosas restrições de segurança das unidades federais.
"Bate-Bola" – As investigações revelaram que, após a transferência de líderes do grupo (integrantes da cúpula, chamada "Sintonia Final Geral") para presídios federais, a facção passou a utilizar o contato pessoal e verbal durante as visitas como principal meio de transmissão de ordens para o ambiente externo, prática conhecida no meio criminal como "bate-bola". Residentes em Londrina, as investigadas operavam recebendo e difundindo essas diretrizes e ordens emanadas dos líderes, além de articular demandas de interesse do grupo criminoso.
Casamento fraudulento – O aprofundamento das diligências desvelou um plano em curso para expandir essa malha de comunicação ilícita por meio da simulação de um casamento. Uma das investigadas, que já tinha o status de visitante regular por ser esposa de um detento do SPF, viabilizou um matrimônio forjado entre a segunda investigada e outro líder da alta cúpula da facção, atualmente recolhido na Penitenciária Federal em Brasília.
O casamento foi formalmente registrado em março de 2026, inclusive com a alteração do nome civil da noiva. Contudo, informações oficiais do sistema prisional atestaram que a mulher jamais havia realizado qualquer visita ao interno, evidenciando a total ausência de vínculo afetivo. Ficou demonstrado que o propósito exclusivo do consórcio era forjar um status jurídico para preencher os requisitos normativos de visitação, criando assim um novo canal para o trânsito de ordens da liderança criminosa. As apurações constataram ainda que as duas mulheres moram no mesmo endereço na região central de Londrina e mantêm laços estreitos com familiares de outros criminosos de alta periculosidade.
As ordens judiciais foram expedidas pelo Juízo das Garantias da 3ª Vara Criminal de Londrina. Além das buscas no domicílio compartilhado pelas investigadas em Londrina, o Poder Judiciário autorizou a busca pessoal (para apreensão de aparelhos eletrônicos e outros elementos probatórios) e apreensões de armas, valores em espécie, documentos e bens adquiridos com proveito do crime.
Assessoria de Comunicação
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