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Saúde

Campanha alerta sobre riscos do uso indiscriminado de anabolizantes

8 de agosto de 2018 às 12:07

A busca por melhor desempenho no esporte e, principalmente, a conquista da beleza e um corpo perfeito fomentam o uso indevido de esteroides anabolizantes e similares (EAS). Estimativas apontam para um volume de 6,8 milhões de usuários de EAS no Brasil - "um número certamente subestimado, visto a clandestinidade da compra e a prescrição não científica ou antiética das substâncias", afirma Silmara Leite, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Regional Paraná (SBEM-PR).

Esteroides anabolizantes são drogas geralmente derivadas da testosterona (hormônio sexual masculino), que promovem o crescimento e a divisão celular, desenvolvendo tecidos, especialmente o muscular e ósseo. Embora não sejam consideradas substâncias ilícitas, só deveriam ser receitadas por médicos para reposição hormonal ou para tratamentos de saúde em que o fortalecimento muscular e ósseo é necessário.

Os resultados rápidos no rendimento esportivo, perda de massa gorda e aumento de massa magra conquistam cada vez mais adeptos, que fazem uso dessas substâncias sem qualquer conhecimento sobre os danos que causam à saúde. Nas mulheres, o uso de esteroides anabolizantes causa efeitos secundários como aumento de pelos, irregularidade menstrual, aumento de apetite, engrossamento da voz e diminuição nos seios. Nos homens, aparecimento de mamas, redução dos testículos, impotência, redução de espermatozoides e calvície. “Dependendo da quantidade e tempo de uso, os danos causados são irreversíveis”, revela Silmara.

A médica alerta ainda para consequências mais graves, como tumores, distúrbios da função do fígado, coágulos no sangue, retenção de líquidos, aumento da pressão arterial, agressividade, dependência química, paranoia, alucinações, psicose e até mesmo a possibilidade de suicídio. “Além de todos esses efeitos colaterais, ainda há o risco de adquirir doenças transmitidas pelo compartilhamento de agulhas contaminadas, como AIDS e hepatite, e a predisposição a iniciar o consumo de outras drogas ilícitas”, complementa Silmara.

Campanha

Com o objetivo de conscientizar a população e orientar as formas de reabilitação dos usuários, foi criada a campanha de comunicação #BombaTôFora. O projeto, desenvolvido pelo Núcleo de Endocrinologia do Exercício da Medicina Esportiva da UNIFESP e pela agência Y&R, conta com o apoio piloto da Universidade de Caxias do Sul, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e de suas regionais no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte e do Exercício (SBMEE), da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) e da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD).

Os principais prejuízos causados pelo uso de EAS são temas de peças publicitárias veiculadas em mídias impressas, eletrônicas e digitais. “Foi com imenso prazer que a SBEM-PR aceitou apoiar essa importante campanha, pois o nosso papel é levar informação ao público e colaborar com a sociedade”, comenta Silmara. “Durante o mês de agosto, vamos compartilhar a campanha em nossas redes sociais e contamos com a participação da população na propagação do conteúdo”.

Indicação e tratamento

Esteroides anabolizantes nem sempre são vilões. Esses hormônios podem ter uso clínico em muitos casos, como em uma reposição hormonal necessária ou para ajudar pessoas que precisam recuperar peso ou massa muscular e óssea. Pacientes com câncer, AIDS ou vítimas de acidentes que precisem de reconstrução de tecidos são alguns dos possíveis beneficiados pelo uso das substâncias. “O que faz do esteroide um veneno é o objetivo do uso, quantidade utilizada e procedência da substância. Nos casos em que há indicação, quem deve prescrever e acompanhar o uso de anabolizantes é o médico endocrinologista”, ressalta a presidente da SBEM-PR.

Ajuda médica também é fundamental para quem busca reverter danos. Quanto antes o usuário suspender o uso de esteroides anabolizantes, melhores as chances. Por isso, campanhas de conscientização e o papel de familiares e amigos nessas situações pode ser decisivo.
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