28 de setembro de 2026 às 20:32

A defesa do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) apresentou uma notícia-crime ao Ministério Público Eleitoral em que pede a prisão preventiva de George Marques, coordenador-geral de Estratégia e Informação da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República. O servidor é acusado de compartilhar publicações que incentivavam a disseminação da notícia falsa de que Flávio pretende retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
Segundo a representação, protocolada em caráter de urgência na sexta-feira (25), Marques chegou a republicar uma mensagem que orientava usuários a não divulgar a retratação sobre o caso e a continuar espalhando o boato, especialmente no interior das regiões Norte e Nordeste.
A publicação compartilhada pelo servidor dizia: “Parem de divulgar retratação. Deixem o assunto rolar. […] Continuem compartilhando que nossa senhora foi atacada, precisa chegar no interior do Nordeste, no interior do Norte”. A mensagem foi posteriormente apagada do perfil de Marques na rede social X, segundo os advogados do senador.
Em nota enviada à Jovem Pan, a Secom criticou a atitude de Flávio e chamou o pedido de prisão de “injusto e arbitrário”.”O candidato distorce os fatos e ignora deliberadamente que a manifestação ocorreu em caráter estritamente pessoal”, disse o órgão.
Para a defesa de Flávio, o conteúdo demonstra que o servidor tinha conhecimento de que a informação era falsa e, mesmo assim, incentivou sua propagação. Os advogados também argumentam que a exclusão da publicação representa uma tentativa de eliminar provas.
A representação aponta que Marques continuou compartilhando conteúdos relacionados à polêmica mesmo depois da retratação e de decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Entre as publicações citadas está uma mensagem que afirmava que “a igreja católica está sendo perseguida no Brasil por Flavio Bolsonaro”.
Outra publicação compartilhada pelo servidor comemorava supostos efeitos eleitorais da narrativa. “Muita gente que dizia votar em Flávio mudando o voto. Temos que aumentar a pressão. Conversar com todos os eleitores católicos. Temos um mote e uma chance real de liquidar a fatura no primeiro turno”, dizia o texto, conforme reprodução apresentada pela defesa.
Os advogados sustentam que a atuação do servidor não se limitou ao compartilhamento de uma publicação isolada. Segundo a representação, a sequência de mensagens indica uma estratégia organizada para manter a informação falsa em circulação até o primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.
A defesa pede que sejam investigados os possíveis crimes de divulgação de informação sabidamente falsa durante o período eleitoral, incitação ao crime e associação criminosa. Também solicita a identificação de outros eventuais envolvidos na disseminação do conteúdo.
Além da prisão preventiva, os advogados pedem a apreensão do computador e do celular de George Marques, bem como a preservação dos registros de suas redes sociais, incluindo publicações apagadas.
Caso a prisão não seja decretada, a defesa solicita, alternativamente, o afastamento do servidor de suas funções públicas e a proibição de utilização das redes sociais.
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