Por Redação Agora1

Ao menos seis corpos foram encontrados em sacos plásticos na capital em um período de dois meses. Os casos foram registrados em diferentes regiões e são investigados pelo DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção a Pessoa).
Os casos foram sendo noticiados e teorias começaram a circular nas redes sociais. Pessoas começaram a apontar para um possível serial killer atuando na capital, levando em consideração o fato de os corpos terem sido encontrados desmembrados e em sacos de lixo — a maioria abandonados em lugares ermos das zonas leste e sul de São Paulo.
De acordo com investigação da polícia, não há relação entre os homicídios. Os casos são investigados individualmente, e o DHPP apurou que as vítimas não se conheciam e que os perfis dos mortos eram diferentes, indicando circunstâncias distintas.
Algumas vítimas tinham antecedentes criminais, outras, não. Uma fonte disse, em condição de anonimato, ao UOL que parte dos corpos tinha aspectos semelhantes a "justiçamentos", podendo, ou não, ter relação com o crime organizado e o "tribunal do crime".
Serial killer costuma atacar pessoas com características em comum: faixa etária, gênero, profissão, estilo de vida. Para a polícia, isso é um argumento que afasta a teoria de que as mortes seriam decorrentes disso.
Vingança, dívidas, conflitos do crime organizado e desavenças podem explicar as mortes, segundo a polícia. A fonte ouvida pelo UOL exemplificou que, quando ocorre um crime sexual, por exemplo, um grupo de pessoas pode matar o suposto autor e tentar sumir com o corpo como uma forma de fazer uma espécie de justiça paralela. Em um dos casos analisados pela polícia, a vítima tinha dívida de drogas e seria oriunda de outro estado.
Uso de saco plástico não é suficiente para indicar um mesmo autor. "Não tem relação entre um e outro e nada indica" a atuação de um serial killer, relatou um delegado.
A SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo) informou que inquéritos policiais foram instaurados sobre as mortes. "Os casos apresentam dinâmicas, locais e métodos distintos. O uso de sacos plásticos ou tecido em alguns casos, isoladamente, não indica ligação entre os crimes e pode estar relacionado à movimentação ou ocultação dos corpos", relatou a pasta.
Os casos
3 de setembro — Represa Guarapiranga
Um corpo de uma mulher foi encontrado esquartejado na Represa Guarapiranga, na zona sul da capital. Um homem de 23 anos teria matado a companheira, colocado em sacos e jogado no local. As partes do corpo foram descobertas por moradores e a vítima foi identificada por familiares.
5 de setembro — Jabaquara
Garis encontraram um corpo dentro de sacos plásticos de lixo na Rua Contos Gauchescos, no Jabaquara, zona sul. O cadáver estava amarrado em uma área da via pública. O caso foi registrado como homicídio no 16º DP, na Vila Clementino, com apoio do DHPP.
10 de setembro — Vila Chuca
Na Rua Osmano Ungaretti, na Vila Chuca, zona leste, a Polícia Militar encontrou o corpo de uma mulher dentro de um saco plástico e enrolado em um cobertor. A vítima tinha um ferimento que teria sido provocado por disparo de arma de fogo. O caso foi registrado como homicídio no 53º DP, no Parque do Carmo.
10 de setembro — Colônia
Outro corpo foi localizado na Rua Zenichi Sato, no bairro Colônia, também na zona leste. O cadáver estava em um terreno baldio, amarrado, coberto por um cobertor e colocado dentro de um saco plástico. Não se sabe sobre o sexo da vítima. Esse caso foi registrado no 53º DP. Este corpo foi encontrado a cerca de 3 km de distância do outro, localizado no mesmo dia.
19 de setembro — Jaçanã
A PM encontrou um corpo esquartejado e dividido em sacolas plásticas em uma área escondida na Rua Antônio Nascente, no Jaçanã, zona norte. Este corpo foi encontrado sem as mãos e a cabeça. O caso é investigado pelo 73º DP. Esta vítima teria sido identificada, segundo a polícia.
2 de outubro — Parque Ecológico do Tietê
O caso mais recente ocorreu no Parque Ecológico do Tietê, na zona leste. O caso ganhou repercussão pois o saco com os restos mortais estava próximo ao centro de treinamento do Corinthians. Os braços e as pernas da pessoa estavam amarrados com fita adesiva. O corpo era de um homem. A ocorrência é apurada pelo DHPP.
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